quarta-feira, 3 de março de 2010

Um pensamento ofensivo ao desenho urbano

Uma notícia que acompanhei no Fantástico deste último domingo, dia 28 de fevereiro, e que me chocou profundamente.


A reportagem é sobre a divulgação de projetos fictícios de condomínios de alto padrão em locais privilegiados de algumas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Guarujá e Florianópolis. A implantação desses projetos revelam uma ousadia no campo legislativo, falta de rigor de desenho de Arquitetura e de desenho urbano. E a pequisa também nos revela alguns comportamentos aterrorizantes da nossa querida sociedade brasileira.


Clique para acessar a reportagem do Fantástico, exibida neste último domingo, dia 28, na Rede Globo.


As pessoas estão cada vez menos, ou nunca estiveram, se importando com o consumo e seus impactos causados ao meio ambiente. Para nós, da área de Arquitetura e Urbanismo, a situação é ainda pior, creio eu. Além dos problemas relacionados ao meio ambiente, esse tipo de ação que não se importa com a legislação nacional, muito menos se importa com questões urbanísticas, como desenho urbano e discussão sobre privatização dos espaços públicos.


Muitos já me disseram, "mas é apenas uma pesquisa, ficção, nada demais. Não vai acontecer". Mas o que mais me preocupa é tomar conhecimento de pessoas que estão cada vez mais alienadas de um universo de leis e de organização do espaço, e que colocam seus hábitos de consumo acima de qualquer questão pública.
"Isso não vai acontecer." Será? É melhor ficar de olhos bem abertos, pois isso aumenta o debate de algo que já está acontecendo e que muitos ainda não se deram conta. Podemos lançar exemplos recorrentes como Dubai ou edificações consumíveis, ícones de um capitalismo contemporâneo. Mas os condomínios horizontais privados, usados como instrumentos de crescimento da maioria das cidades brasileiras, por exemplo, não ficam atrás nesta discussão. Inclusive passam batidos, banalizados.


Ainda bem que ainda existem pessoas que tem consciência do que é espaço público, como podemos ver na reportagem. A sociedade consome cada vez mais, sem se importar com nada, como mostra tal pesquisa de comportamento, e ela não se dá conta disso.


Ver sua cidade sendo transformada em uma Dubai é o sonho de qualquer um. Mas esse sonho pode custar um alto preço. Mas isso não importa. Pelo menos pra elas. Afinal, o que importa é o status.

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